Dezembro 4, 2009 por samuelstrappa
Pequeno Lamento ou o Desabafo do Chato
Um dia desses viro a rua e encontro um outro eu.
Dou um aceno e faço a volta.
Medo de encarar de frente, sabe!
Doído pensar em defeitos e materializá-los em conhecidos.
Certa vez ouvi de alguém que pessoas chatas são aquelas que chamam.
Não me acho chato! Mas se perguntarem a cada um de meus irmãos, por certo virá em mim essa definição: chato.
Estico o braço e cavo um buraco.
Lá escondo minhas imperfeições.
Tomara Deus que esse esconderijo não seja descoberto.
Prefiro apagar meus medos e viver de alívios.
Porém mundo doído é exigente.
Transfigura “eus” irrecusáveis e existentes.
Defesa obrigatória para preservar meu espaço.

Tags: Chato, Desabafo, Espaço, Eu, Medo
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Novembro 27, 2009 por samuelstrappa
Abrigo
Quando me sinto sozinho,
a razão me cega e mente.
Quero o simples, peço mimo.
Em noite fria encostar umbigo.
Quando me sinto sozinho,
minha vida para de repente.
Sábado longo e medo infindo.
Vou me afogar em sono e
da dor, esconder abrigo.
Tags: Abrigo, Medo, mimo, Sábado
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Novembro 12, 2009 por samuelstrappa
Poeta do Improviso
Mataram a felicidade no dia em que alcancei o topo.
Tapo a boca, arregalo os olhos.
Volto ao começo e reinicio a jornada.
Dessa vez, espero contar com mais sorte.
De talento se vive muito…
Mas sem a boa companhia, tudo para, tapa.
Topo a vida e que venham oportunidades.
Brinde ao juízo e morte ao desnecessário.
Bom reparar nossos erros e tapar buracos.
Lastimo a falta de rima e louvo esse eco tolo.
Sou mais um poeta do improviso e amante do todo.
Tags: Felicidade, metalinguagem, Poeta, Talento
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Novembro 10, 2009 por samuelstrappa
Meu Cinema
Quero um pouco de decência para vibrar meu sonho em realidade.
Cortar a janela aleitada e preencher ideias em mentes inquietas.
Quero a minha impressão perdurada dias, noites e décadas.
Viver o agora, sem demora, no inusitado ser lembrado centenas.
Quero rir do deboche, do pouco caso e depois agradecer.
Sim! Quero retribuir o carinho daqueles que torcem.
Ser o que penso, prezo e não aquele que ocupa e retrocede.
Fazer do meu modo, do meu jeito e ser o espelho no fim.
Das linhas mais belas, antigas, tremidas, estáveis e novas.
Projetar o que sou e fazer aquilo que amamos, cinema.
Tags: Cinema, Juventude, metalinguagem, poema, Sonho
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Outubro 15, 2009 por samuelstrappa
Maus Tratos
A libido
Lambe o
Terno que
Desusa a
Paciência
Desinibida
A bailarina
Transpira a
Musa de
Inocência.
Vida minha
Aniquilada
Colo a morte
Por
Prudência
Destemida
Afasta a
Sombra muda
O verbo pra
Demência
Maltratada
Afugentada
No ermo
Feito a
Indescência!
( outubro/ 2002 )
Dedico esse poema ao professor Sebastião Votre.
Tags: Bailarina, musa, poesia, Velho
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Setembro 17, 2009 por samuelstrappa
Resto
Odeio esses momentos de melancolia.
Percebo-me aflito e um tanto inseguro.
Parece que falta ar no centro do peito.
De sobra me rendo à tola estripulia.
Um chocolate, um café, um soco duro.
Uma folha branca à espera do nobre feito.
Escritas e rabiscos que depois detesto.
Choros e angústias que depois desprezo.
A felicidade do que sou e daquilo que rezo.
Do meu corpo, da minha boca, do meu resto.
Tags: ódio, boca, melancolia, metalinguagem, poema, resto
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Setembro 11, 2009 por samuelstrappa
Poeta de frases infantis
Tenho me emocionado por pouca coisa,
Inusitado hábito, me virei ao avesso.
Desperto sentimentos puros e prossigo atento.
Bom chorar em situações simplórias.
Estou vivo, constato a infantilidade.
Devolvo sorriso às lágrimas e faço meu momento.
Aprecio as humildes atitudes.
Enlaço a música e reproduzo com alma.
Bom deitar a cabeça em colo fraterno.
Triste acaso, hoje meu dia amanheceu cinza.
Estou sem graça, me belisco numa enorme vontade.
Melhor pensar em alegrias e ser eterno…
Tags: Cinza, Infantil, Música, metalinguagem, Poeta
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Setembro 8, 2009 por samuelstrappa
O lado bonito
A saudade quando chega
ocupa o lado bonito do coração.
Se dói, é porque algo de bom há ali.
A alma falece quando se fecha em vazios.
Lembranças tem tempo bom, sempre!
Aproximar e alargar o instante são atitudes
belas, leves e merecidas.
Viver é muito saboroso quando amamos.
Para que lacrar sentimentos em caixas?
Prefiro ter chaves mestras
e abrir em momentos de faltas.
A saudade ocupa o lado bonito do peito!
Vamos flechar sonhos e reviver ao lado.
Tags: Coração, Lado, Saudade, Sonho
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Setembro 3, 2009 por samuelstrappa
Volta à Casa
Ela subia a ladeira de ladrilhos ladeados.
Forte, segurava duas sacolas de compras,
que marcavam a pele e fadigavam os punhos.
Era o mercado para a semana inteira durar.
O suor descia a testa e tocava os lábios.
Os bolsos vazios lamentavam as últimas moedas gastas.
O menino vinha logo atrás, chutando pedrinhas a esmo.
Carregava uma sacola de peso leve, era o que podia ajudar.
A menina, de bico na cara e braços cruzados,
caminhava preguiçosa, manhosa e birrenta.
Não ganhara o doce que tanto pedira e por isso amargurava.
O menino olhava para trás e gargalhava zombeteiro.
A menina, ainda mais irritada, começava a gritar.
O nome da mãe, o nome do irmão, o nome da irritação.
A mãe, muito nervosa, respirava a sobra da força que tinha.
Vociferava! A menina calava e o menino escondia a face.
O restante era a caminhada silenciosa e a distância curta.
Logo encontrariam uma rampa que os levaria ao portão,
que levaria aos degraus e terminariam numa segunda porta branca.
O barulho registrava a batida da porta e o giro da tranca.
No andar acima, as crianças guerreavam quem seria o primeiro.
Não importava o que fosse, a motivação era o prazer da disputa.
A mãe passava frente e abria a segunda porta branca.
Eram tomados pela forte luz clara,
e pelo reconhecido aroma da casa sempre limpa e arrumada.
Entravam felizes!
Era o lar, a família, a infância, e nada além disso.
Tags: Casa, Família, Infância, Prosa, Saudade
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Agosto 31, 2009 por samuelstrappa
Dentro de uma gota d’água
Em uma folha de papel desenhei uma gota d’água.
Virei o pequeno lar para esquerda e a deixei deitada.
Na ponta da gota, pressionei o lápis e me representei.
Com uma simples reta, esbocei todo trajeto cruzado.
Sem ar, enfraquecido, estagnado na não correnteza.
Era eu com o rosto virado para o universo molhado.
Pressionei o polegar e rasurei o ponto escurecido.
Deslizei para baixo a fim de alcançar a borda seca.
Permaneci deitado, de olhos fechados, adormecido.
O que registro são simples histórias e meras sobras.
Lembranças uma vez ou outra contadas e passadas.
Contento-me com a memória branca e interditada.
E no fim, esqueço e me deixo despertar no susto.
De ver a folha antes lisa, agora úmida e enrugada.
Tags: afogado, Infância, metalinguagem, poema
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