Poema do teatro sonhado

Naomi Watts em "Mulholland Drive" (dir. David Lynch, 2001)

Naomi Watts em "Cidade dos sonhos" (Mulholland Drive, dir. David Lynch, 2001)

Poema teatralizado

Sonhei com uma mulher no palco.
Diante de uma plateia vazia. Distraída.
O mundo segurado nas pontas dos dedos
a deslizar e equilibrar-se por um triz.
Atriz. Seu braço esticado sobre o tecido azulado.
Um céu nublado, caído, costurado e cortinado.
Um pouco mais afastado, o ator.
Tão distante, soberbo, perdido em torpor.
Elegante e alinhado em figurino semelhante.
Composição de um quadro, um cenário sem margens.
Desalinhado, mal acabado, apenas um sonho.
Um devaneio a despertar interesse.
Teatro! Faz este um espaço de encontro.
A metalinguagem dos apaixonados.
A rubrica que faltava para o entendimento.
A fala, o diálogo, a música e o tempo.
Tão etéreo e eterno, este teatro
sou eu, mais um pouco, o conjunto e o verbo.

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