Poema antes de partir

A morte do caixeiro viajante

Arte - Cartaz da peça "A morte do caixeiro viajante" (Death of a Salesman)

Embora

Vou embora antes.
Antes que o forno aqueça
e que ela tome forma.
Antes de provar o sabor
e de terminar a prosa.
Antes de piorar e de por tudo a perder.
Antes mesmo de entardecer
e o que somos esmaecer.
Vou sair e deixar a lembrança.
Que ela tenha força e seja prazerosa.
Que ostente o verbo e perdure
formosa, sem derrota.
Que viva comigo, contigo e com aqueles
que venham compartilhar.
Vou embora antes,
mas primeiro vou assinar,
este epílogo improvisado
que cresceu feito um sonho
de um apaixonado teimoso
que recusava acordar.

Poema para dizer alô

Poema telefone

Telefone Gif

Indisponível (ou fora de área)

Bip… bip… me desligaram.
Deixei recado para retorno.
Serei ainda útil se calado?
Amoroso aguardo seu alô.

Se tudo começa com alô.
Bora iniciar um novo talk?
Sentimentos fluem tecnologia,
em dias de paixonite retrô.

Poema para dançar em tempos de falta

amores expresso montagem

Foto montagem com imagens do filme "Amores Expressos", 1994

Linha imaginada

Hoje acordei com preguiça e cocei a vista.
Uma luz atrevida brincava em meu rosto.
Cantarolava baixinho e me dizia ser dia.

Hoje acordei num desconforto meio torto.
Lembrei de ter você dormindo ao lado.
Que às vezes acordava e me sorria pouco.

Hoje acordei em lamentos nesta lembrança.
Da criança que desenha a linha e me cansa.
Linha imaginada por nós dois amargurada.

Agora deslizo no espaço vazio e me vejo tenso.
Lá se foi do meu corpo mais um fragmento.
Emoção tão latejante! Fez-me lembrar a dança.

Aquele que por dias esperou

Uma palavra

A desculpa não veio.
Na ausência, fechei-me em silêncio.
Duro varrer em palavras, o perdão.

A desculpa não veio.
Na pressa, escondi o mundo.
Triste encarar em defeitos, o amor.

A desculpa não veio.
Na angústia, procuro outros meios.
Fácil medir em extremos, o outro.

A desculpa não veio.
Na espreita, dissimulo o sábio.
Amargo abraçar desafetos, a dor.

A desculpa, por fim, veio.
No tato, desafoguei meu suspiro.
Finalmente encontrei no tom, uma palavra.

(poema revisado “Uma palavra” de novembro de 2008)

 

A palavra

 

A desculpa não veio.
Na ausência, fechei-me em silêncio.
Duro vasculhar em palavras, o perdão.

A desculpa não veio.
Na pressa, escondi o mundo.
Triste encarar em defeitos, o amor.

A desculpa não veio.
Na angústia, procuro outros meios.
Fácil medir em extremos, o outro.

A desculpa não veio.
Na espreita, dissimulo o sábio.
Amargo abraçar desafetos, a dor.

A desculpa, por fim, veio.
No tato, desafoguei meu suspiro.
Finalmente encontrei no tom, a palavra.

 

(poema revisado “Uma palavra” de novembro de 2008)

Porque me encontrei

song about myself

“Song about myself” ilustração de Peter Wyse

Afinidade

Desprender o ar e
curtir mais a terra.

No meio das coincidências,
encontrei meu espaço.

Um dos meus favoritos

Dor

Insisto, limo e prossigo
Em ridículas rimas pobres
Desgastou minha subjetiva
Vida sofrida de cor?

Lamento em dizer que sim, amigo
Pois meus versos antes nobres
Fatigam por letras festivas
Em palavras doídas de amor.

( 24/06/03 )

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