Texto para se dedicar à avó
03 Set 2010 4 Comentários
in quase poema quase prosa Etiquetas:avó, Casa, Infância, Lembranças, Memória, vovó
A casa incompleta
A notícia que recebi foi a de que reformaram sua casa.
Transformaram em um restaurante bem recomendado.
Casa boa! Dois andares. Vários quartos e salas amplas.
Pergunto como ela deve ter ficado e o que foi adaptado.
Quebraram as paredes da cozinha? Distribuíram mesas?
Imagino os garçons trabalhando nessa antiga morada.
A varanda do térreo como perfeita área de convivência.
Espaço para cumprimentos e playground das crianças.
Da cozinha, espero o mesmo sabor da comida e acolhida,
que tantas vezes compartilhei e agora saudoso relembro.
Mas depois veio a verdade. Não houve reforma alguma.
Por causa da ordem médica e do apoio imediato da família,
transferiram a avó para o andar debaixo e lá a hospedaram.
Naquele quarto de visitas que quando mais novo eu dormia.
E nessa situação mudada o que é estranho e nos intriga,
à parte superior da casa ela nunca mais voltou ou perguntou.
Não mais manifestou o interesse em subir as escadas.
Visitar seu antigo quarto e caminhar pelo corredor extenso
que levava aos quartos onde dormiram o marido, os filhos,
os netos, os bisnetos, as visitas e a muito querida Xica.
A ideia da casa completa faleceu em sua memória idosa.
A antiga casa anulada para uma nova vida de lembranças.
De um tempo onde era jovem e gozava a boa saúde.
Um tempo de fantasias, infantil e belo àquela que mais ama.



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