Aquele onde o som lembra a buzina
04 Abr 2012 2 Comentários
in poema Etiquetas:afeto, amizade, Memória, mimo, Prima, Saudade
Prima
De repente aconteceu de repetir.
Salvei seu número e guardei Bibi.
Nossos momentos adormecidos
agora presentes e reiniciados.
Prontos para um novo começo
e mais abraços apertados.
Vezes e outras vou ligar e conectar!
Minha alma tá tão saudosa de afetos.
De perto, sabe, é saboroso e honesto.
Peço mimo e recordo sons e objetos.
Flashes guardam nossos instantes.
São quadrinhos eletrônicos e atônitos.
Juntos vamos compartilhar e sonhos lembrar.
Nossa amizade! Ah! Deixou saudoso e romântico.
Àqueles que discutiram com o tempo e restou a saudade
16 Mar 2012 1 Comentário
in poema Etiquetas:andança, Casa, Infância, Memória, Saudade, tempo
Andanças
Com o tempo eles foram embora.
Suas camas agora desarrumadas e vazias.
Sem o agito de todas as manhãs.
Sem as bênçãos que tanto gostava nos finais dos dias.
A copa sem os pratos e talheres distribuídos.
O jardim carente dos buracos e dos brinquedos espalhados.
Não ouço mais as gargalhadas e as broncas repetidas.
Fico apenas com o felino que manhoso vem cheio de miados.
Na casa sobraram o meu pouco e a lembrança.
O meu afeto ressaltado na mentira de um ensaio.
Um abraço apaixonado encenado no vento, em torno, no nada.
Lembrando meus netos, meus filhos, o dentro e o fora do balaio.
Sinto minha memória envelhecida com outros tempos.
Fui mesmo capaz de gerar tudo isso que lembro?
Sei que nestes corredores houve vida, houve cor.
Hoje só são meus passos e essa mobília deteriorada e sem valor.
Quero voltar à minha infância e nela recriar minha morada.
Novamente crescer e cuidar sem grandes cobranças.
Um tempo mais caloroso e um pouquinho vagaroso.
Voltar comigo, meu corpo, com carinho, os outros e as andanças.
Texto para se dedicar à avó
03 Set 2010 4 Comentários
in quase poema quase prosa Etiquetas:avó, Casa, Infância, Lembranças, Memória, vovó
A casa incompleta
A notícia que recebi foi a de que reformaram sua casa.
Transformaram em um restaurante bem recomendado.
Casa boa! Dois andares. Vários quartos e salas amplas.
Pergunto como ela deve ter ficado e o que foi adaptado.
Quebraram as paredes da cozinha? Distribuíram mesas?
Imagino os garçons trabalhando nessa antiga morada.
A varanda do térreo como perfeita área de convivência.
Espaço para cumprimentos e playground das crianças.
Da cozinha, espero o mesmo sabor da comida e acolhida,
que tantas vezes compartilhei e agora saudoso relembro.
Mas depois veio a verdade. Não houve reforma alguma.
Por causa da ordem médica e do apoio imediato da família,
transferiram a avó para o andar debaixo e lá a hospedaram.
Naquele quarto de visitas que quando mais novo eu dormia.
E nessa situação mudada o que é estranho e nos intriga,
à parte superior da casa ela nunca mais voltou ou perguntou.
Não mais manifestou o interesse em subir as escadas.
Visitar seu antigo quarto e caminhar pelo corredor extenso
que levava aos quartos onde dormiram o marido, os filhos,
os netos, os bisnetos, as visitas e a muito querida Xica.
A ideia da casa completa faleceu em sua memória idosa.
A antiga casa anulada para uma nova vida de lembranças.
De um tempo onde era jovem e gozava a boa saúde.
Um tempo de fantasias, infantil e belo àquela que mais ama.
Aquilo que minha irmã me despertou
28 Jun 2010 4 Comentários
in variados Etiquetas:Família, Infância, Irmã, Memória, Vidas
Vidas Espalhadas
Ontem minha irmã veio dizer que nossas vidas estão espalhadas.
Verdade firmada.
São frações de nós mesmos deixadas em cada canto, pedaço.
Em cidades, famílias, bairros, apartamentos, casas, estados e caixas.
A notícia veio como uma fagulha que queima e inquieta.
Na penúltima mudança uma caixa foi abandonada.
Na verdade guardada, esquecida e agora lembrada.
Engraçado que dias antes eu havia me perguntado.
Gostaria de rever aquelas fotografias de minha infância.
Risonho intuito.
A caixa foi tomada por ratos.
De Dyonélio a Cortázar.
Excrementos e ovos de outros insetos, iguais à vida,
espalhados. . .
Como podem?
Tenho medo de perguntar se isso tudo foi jogado fora.
Ouvi dizer que fotos são lavadas assim como as roupas mais sujas.
Confesso que isto muito me incomoda.
Acho que o destino privou essas lembranças de sua matéria.
Decompostas e reconstruídas apenas em memória.
Minha, de minha irmã e dos meus próximos mais próximos.
Para lembrar minhas velhas casas
27 Jun 2009 1 Comentário
in quase poema quase prosa Etiquetas:Infância, Mãe, Memória, Minas, poema
Vida de menino
Nada melhor que deitar em colo e receber carinho de mãe.
Sentir o cheiro do café da manhã.
Pedir bença à vovó.
Comer broa quentinha e deslizar os dedos sobre o vapor do leite.
Andar em ruas, despreocupado.
Respirar verde.
Admirar o céu azul bordado em nuvens brancas.
Ouvir música.
Escutar a bronca do pai e as dúvidas da irmã.
Partilhar gosto e experiências com a prima
Nada melhor que amar a vida e respeitar sua origem.
Ser mineiro é coisa boa.
Privilégio.
Quero eu esse respeito e jamais
nunca, em hipótese alguma
tirar isso de mim.
O prazer de ouvir, falar e ser “uai”.






Recados no Mural