Para lembrar minhas velhas casas

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Pintura Mercia Lara

Sem título, Mércia Lara

Vida de menino

Nada melhor que deitar em colo e receber carinho de mãe.
Sentir o cheiro do café da manhã.
Pedir bença à vovó.
Comer broa quentinha e deslizar os dedos sobre o vapor do leite.
Andar em ruas, despreocupado.
Respirar verde.
Admirar o céu azul bordado em nuvens brancas.
Ouvir música.
Escutar a bronca do pai e as dúvidas da irmã.
Partilhar gosto e experiências com a prima
Nada melhor que amar a vida e respeitar sua origem.
Ser mineiro é coisa boa.
Privilégio.
Quero eu esse respeito e jamais
nunca, em hipótese alguma
tirar isso de mim.
O prazer de ouvir, falar e ser “uai”.

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Poema para ser lido enquanto se recebe um cafuné

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depeche-mode

Imagem do clip "Enjoy the silence", Depeche Mode

Mimo ou Poema para o infinito

Desatento é o caminho do incerto.
Se firmo ideias vagas, pouco acredito.
Voo no teu colo e descanso em paz.

Fecho os olhos e me percebo rei.
Um lugar abstrato a entregar infinito.
Mimo o acaso que só você me faz…

Poema para futucar

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Éolo

Éolo, rei dos ventos segundo a mitologia grega

Quando o vento me pergunta

Ontem, enquanto descia a estreita rua de curvas tortas,
um vento soprou minha nuca e me disse palavras gostosas.
Além delas, perguntou por que eu tanto teimava.
Respondi que era a preguiça, talvez o medo descarado.
Vento boboca, parece esquecer que em casa deixei o menino.
Que de noite muito chora e de dia apenas some.
Devo eu  trancar a porta e evitar a fuga?
Mas o menino é esperto, tudo sabe, tudo futuca.
Logo a porta se abre e de novo ele ganha as ruas.
Ôh vento! Vê se vai para lá e me deixa aqui sozinho.
Talvez seja esse o meu inevitável destino.
Andar… Andar, às vezes tropeçar e devagar sair do lugar.