Um dos meus favoritos

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Primavera de Graham Franciose

Primavera de Graham Franciose

Processo

Insisto, limo e prossigo
Em ridículas rimas pobres
Desgastou minha subjetiva
Vida sofrida de cor?

Lamento em dizer que sim, amigo
Pois meus versos antes nobres
Fatigam por letras festivas
Em palavras doídas de amor.

( 24/06/03 )

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Poema feito o barulhinho do mar

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Assim como as ondas do mar fazem.

Hoje, para variar, o meu dia amanheceu calado.
Fiz cosquinhas na barriga e o dia sorriu.
Vamos mudar para lá? Cá é outro lado.

Talvez à noite o frio me venha amansar o quarto
e assim mudar a ideia e ficar acanhado.
Beijar na boca é tão bom quando se tem amado.

Ao par, nada importa. Estamos felizes, ora.
Há horas que esse sentimento me vem e volta.
Como a onda do mar que te trouxe e quer levar embora.

Poema para o curioso

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Um furo na parede

Na parede da sala há um pequeno furo.
Um orifício simples que termina no nada.
Aproximo o olho direito e borro o rosto.
Na pele prega a fina poeira antes parada.

Penso, de repente, minhas pálpebras cerradas.
Não há nada, apenas o escuro que percebo.
Nenhum pio acontece, nenhum suspiro sai.
Afasto a face, o corpo, deixo reinar o medo.

Pergunto o que existirá do outro lado.
Talvez espíritos na paz silenciados.
Será um grito capaz de despertá-los?
Ou um gato preto cheio de seus miados?

Rio de minhas probabilidades absurdas.
Provavelmente uma falha no divisório.
Pedreiros incapacitados e paredes erradas.
Um vão torto, sem razão, pouco notório.

Foi então que do furo senti um sopro curto.
Retornei e preguei minha face na parede.
Fui tomado pela insuportável vontade de rir.
O nada meramente continuava a ser nada.
O silêncio permanecia quieto em seu escuro.
E nesse exato segundo, eu deixava de existir.