Poema para o curioso

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Um furo na parede

Na parede da sala há um pequeno furo.
Um orifício simples que termina no nada.
Aproximo o olho direito e borro o rosto.
Na pele prega a fina poeira antes parada.

Penso, de repente, minhas pálpebras cerradas.
Não há nada, apenas o escuro que percebo.
Nenhum pio acontece, nenhum suspiro sai.
Afasto a face, o corpo, deixo reinar o medo.

Pergunto o que existirá do outro lado.
Talvez espíritos na paz silenciados.
Será um grito capaz de despertá-los?
Ou um gato preto cheio de seus miados?

Rio de minhas probabilidades absurdas.
Provavelmente uma falha no divisório.
Pedreiros incapacitados e paredes erradas.
Um vão torto, sem razão, pouco notório.

Foi então que do furo senti um sopro curto.
Retornei e preguei minha face na parede.
Fui tomado pela insuportável vontade de rir.
O nada meramente continuava a ser nada.
O silêncio permanecia quieto em seu escuro.
E nesse exato segundo, eu deixava de existir.

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