Palavras do Saudosista

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irmãos

Volta à Casa

Ela subia a ladeira de ladrilhos ladeados.
Forte, segurava duas sacolas de compras,
que marcavam a pele e fadigavam os punhos.
Era o mercado para a semana inteira durar.
Os bolsos vazios lamentavam as últimas moedas gastas.
O menino vinha logo atrás, chutando pedrinhas a esmo.
Carregava uma sacola de peso leve, era o que podia ajudar.
A menina fazia bico e caminhava preguiçosa,
seus braços cruzados, manhosa e birrenta.
Não ganhara o doce que tanto pedira e por isso amargurava.
O menino olhava para trás e escondido gargalhava zombeteiro.
A menina, ainda mais irritada, começava a gritar:
o nome da mãe, o nome do irmão, sua irritação.
A mãe, muito nervosa, respirava a sobra da força que tinha.
Lamentava! A menina calava e o menino escondia a face.
O restante era a caminhada silenciosa e a distância curta.
Logo encontrariam uma rampa, um portão, duas escadas e uma porta.
O barulho registrava a batida na madeira e o giro da tranca.
No andar acima, as crianças guerreavam quem seria o primeiro.
Não importava o destino, a motivação era o prazer da disputa.
A mãe passava frente e abria a segunda porta branca.
Eram tomados pela forte luz clara
e pelo familiar aroma da casa limpa e arrumada.
Entravam felizes!
Era o lar, a família, a infância e nada além disso.

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