Aquilo que minha irmã me despertou

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aniversario

Recordação

Vidas Espalhadas

Ontem minha irmã veio dizer que nossas vidas estão espalhadas.
Verdade firmada.
São frações de nós mesmos deixadas em cada canto, pedaço.
Em cidades, famílias, bairros, apartamentos, casas, estados e caixas.
A notícia veio como uma fagulha que queima e inquieta.
Na penúltima mudança uma caixa foi abandonada.
Na verdade guardada, esquecida e agora lembrada.
Engraçado que dias antes eu havia me perguntado.
Gostaria de rever aquelas fotografias de minha infância.
Risonho intuito.
A caixa foi tomada por ratos.
De Dyonélio a Cortázar.
Excrementos e ovos de outros insetos, iguais à vida,
espalhados. . .
Como podem?
Tenho medo de perguntar se isso tudo foi jogado fora.
Ouvi dizer que fotos são lavadas assim como as roupas mais sujas.
Confesso que isto muito me incomoda.
Acho que o destino privou essas lembranças de sua matéria.
Decompostas e reconstruídas apenas em memória.
Minha, de minha irmã e dos meus próximos mais próximos.

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4 thoughts on “Aquilo que minha irmã me despertou

  1. irene

    Gostei bem deste.
    Não sei se gostei certo, mas gostei. 🙂
    Mesmo os poemas lembram os aforismos – poesia em prosa e prosa em poesia.
    Quero mais! 🙂

    Beijos da Irene.

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