Saudades do tempo de planta

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Flowering Garden Vincent van Gogh

Flowering Garden Vincent van Gogh

O menino que se perdeu no jardim.

Havia um menino que queria ser planta.
Triste menino, por que somente o verde?
Queria estar grudado no que não alcança.
Ser grama e fincar os dedos na terra.
Virar semente e germinar a criança.
Fungar o cheiro da chuva e se queimar,
ao sol. Sorrir para os passarinhos.
Ficar e saber ouvi-los, seu canto.
Segurar as lágrimas e espantar a seca.
Para as flores e as formigas ser o campo.
Atrair abelhas, borboletas e minhocas.
De repente tão colorido, não só o verde.
Para longe todos os pensamentos bobocas.
Ser mato para a fantasia, para o lobo,
para os porquinhos e para a chapeuzinho.
Cá onde Alice encontrou o coelhinho.
Viver intensamente por muitos anos.
Crescer além demais da conta e rimar.
Depois subir o pé de feijão plantado.
Numa altura onde dá para se ver o mar
e correr nas nuvens até ouvir o grito.
O chamado de sua mãe para o jantar.
Já é tarde e deve ficar longe do sereno.
Lembrou-se do outro feijão da tarde.
Gostoso! Bom sentar à mesa, pequeno.
Agora, amigos, é a hora da despedida.
Até logo mais meu universo imaginado!
Mas sem pirraças e choro, combinado?
Pois amanhã, quando mamãe o acordar,
poderá viver tudo novamente, tudinho.
Ser planta, verde, colorido e mais que isso.

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