Aquele poema que se intitulou de estranho

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Daehyun Kim

Ilustração de Daehyun Kim

Corpo estranho

Aconteceu quando a chuva parou.
Terminaram e deixaram o quarto.
Fez-se nova atmosfera e eu ali paralisado.
Preocupado, emudecido e meu ego recortado.

Apagaram as luzes e juntaram-me às sombras.
Mais um corpo no meio de tantas quinas estranhas.
Alguns ruídos reconhecidos e outros deslocados.
Não era meu espaço, mas também se fazia casa.

Casa rasa e vazia de significados.
Comigo habitado eram dúvidas e cantos esquecidos.
Cavei a saudade e busquei velhos sentidos.
Realidade minha adormecida, agora elétrica a despertar.

Imerso à espera mórbida e contínua.
Alfinetava-me o desassossego da descoberta.
Cheio de interrogações sobre a prevista acolhida.
Disposto a encarar a recente fissura aberta.

Um novo tempo, noutro sonho e o mesmo lar.
A luz amanheceu intrusa e solar de caricaturas.
Abriram a porta e mais uma vez entraram.
Invadiram emocionados e paralelo me calaram de abraços.

Aquele poema que interromperam para recomeçar

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o

“O” de Liu Ye

Hiato

De repente rompeu este nosso espaço.
O tempo partido quis morar aqui do lado.
Trabalho com prazo, pouco, sufocado.
Não tenho teto neste hiato quebrado.

Sigo sozinho com os nós da vontade.
Tanto desejo que me fez perder o começo.
Trabalho com amor, rouco, dedicado.
Meu piso novo será simples e decorado.

Mais uma vez tenho neste um desafio.
Quantos apoios e noutros estamos sós.
Forte, trabalho com vida, fé e até…
Sonho louco. Bom. Superarei o que vier.

Poema recitado:

Hiato recitado (Samuel Strappa)