Poema dedicado aos arremessados da cama

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Ilustração de Sara Fratini

Ilustração de Sara Fratini

Apaixonada preguiça

Esta manhã a preguiça me acordou com um soco no rosto.
Jogou-me para fora da cama e ainda me deixou de olho roxo.
Rodela roxa vergonhosa e no cotovelo o doído desprezo.
Por que machucar o trabalhador que tem na cama seu amor?

No chão, rastejado até a porta, busquei a dignidade que restava.
Mas ela voltou, segurou minha perna e fez destino o chuveiro.
Água atrevida, quanta teimosia pra esquentar! Ao léu eu gritava.
Terminado lamento, lágrimas secas, hora do café costumeiro.

Sentada, a preguiça me fitava com os olhos de paquera.
A ira me cegava, mas a fumaça do café era tão amorosa.
Orgulhosa, ela dizia ter a bebida preparado e adoçado.
Saborosa. Preguiça sua filha da mãe! Não vá embora!
Pois eu já me acostumei com a sua insistente parceria.
E fazer o quê? Melhor relaxar e aproveitar a companhia.

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2 thoughts on “Poema dedicado aos arremessados da cama

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