Poema para os de repente incompletos

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Columpio de Luís Alves

Columpio de Luís Alves

Vazio

Por um pequeno descuido, perdi um pedacinho de mim.
Fininho feito fio de pipa a voar macio pra um lugar sem fim.
E estacionou lá longe, onde se escondeu da imaginação.
Mal sabe ele, esta intempérie fere, testa e confere o destino,
de ficar sozinho, bandido e incompleto, sem o meu carinho.

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Poema para o novo começo

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Ilustração de Yao Xiong

Ilustração de Yao Xiong

Mudança

Após nossa demorada conversa resolvi fazer a mudança.
Juntei minhas ideias e atravessei a praça da significância.
Segui pela rua das palavras e dos verbos de importância.
Para nos guardar no canto do afeto e das boas lembranças.

Ali a lua derramou sua ternura e me confiou estrelas em chuva.
Então assoviei uma canção e ricocheteou mais de um coração.
Foi você agora uma fantasia para o tempo ter mais doçura.
E preservar vidas separadas reinterpretadas pela imaginação.

Poema para os desenhados do sol

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jugar_Dima Dmitriev 7

Pescados

Conto os passos do nosso grupo ritmado.
Mais um final de cansado dia trabalhado.
Colheita pouca, longe do tanto esperado.
Na volta agulhas, redes e chorado pescado.
Nos metais, peixes de lábios machucados.
Olhos abertos e o restinho de vida salgado.
O mais alto puxa o canto acompanhado.
Preces e rimas pra Deus muito obrigado.
E atrás fica nosso rastro aprofundado.
Pegadas para o mar cobrir necessitado.
Negros contornos na areia desenhados.
Somos testemunhos de um sol apaixonado.

Poema criado na eventualidade

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riccardo guasco

Love giant, ilustração de Riccardo Guasco

O gigante de ego cheio

A montanha me flertou quando preso no trânsito eu estava.
Ela usava um acinzentado véu de nuvens pra cobrir a face larga.

Carros enfileirados em semáforos teimosos de verde e vermelho.
Mais motos e pessoas atrasadas enfrentando a vida, sem medo.

Quando me apareceu o gigante por de trás da montanha, um montante.
Um ser de pedras e lava seca por dentro fera e por fora mutante.

Um mostro de ego cheio pra abraçar a montanha e o medo aranha.
Pra depois cair em terra, no asfalto buracos e a pressa tamanha.

Enquanto eu aqui poetizo o meu lado em fantástico lirismo.
Pra ficar acostumado feito sonho vivido na eventualidade, o menino.