POEMA PARA QUANDO HOUVER REVOADA

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"Beso amor" de Marina Anaya

“Beso amor” de Marina Anaya

Amor de passarinho

Se eu pudesse representar nosso amor, desenharia passarinhos.
Saltando de nossas cabeças, tomando o céu e outros ninhos.
Levando nos bicos as sementes dos nossos corações afetivos.
Para semear alegria que não teve na terra seus devidos adjetivos.

E daí virão outros pássaros para um encontro de asas e assobios.
Livres, amontoados, empoleirados, feito o calor de fortes abraços.
E na despedida, a revoada deixará para trás suas penas coloridas.
Para pintar este chão de outono, nosso amor enraizado, nossas vidas.

Poema para os amores separados

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Ilustração de Patrice Barton

Ilustração de Patrice Barton

Primeira despedida

Eles me disseram que você partiria na manhã seguinte.
Por que tão subitamente quiseram partir meu coração?

O nosso cantinho descolado será ocupado pelo vazio.
E o mato calado, aposto, terá saudades dos cochichos.

Segredos nossos, verdadeiros, isto espero não esqueça.
E que de vez em quando desça para me visitar e sonhar.

Descalçar os sapatos para esta grama nossa acarinhar.
E acostumados, correr para felicidade próxima alcançar.

Não queria, mas como despistar a temida despedida?
Já sinto falta dos meus dedos nos nós de seus cabelos.

E dos gritos de nossos pais e você voltando comedida.
Eu rindo bobo até dos machucados tolos dos joelhos.

Saiba que debaixo desta pedra guardei nossas iniciais.
Riscadas por chave velha em cimento sujo e confiável.

Amável será este nosso último abraço desajeitado.
E depois virão outros e mais outros de outros reencontrados…

Poema para o instante do abraço

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Ilustração de Estrellita Caracol

Ilustração de Estrellita Caracol

Respiro

Tem dias que na mão se acomoda o mundo complexo.
Fácil apontar e circular alguns defeitos por perto.
Noutros, chocalho e medos caem feito flocos do teto.
Esperto, meu céu nega limites para quem prova afeto.
E modesto estou no turbilhão de sentimentos abertos.
Tão simples! Um abraço faz meu coração ficar quieto.

Dois pra lá, um pra cá

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"Iluna", ilustração de Elisabetta Decontardi

“Iluna”, ilustração de Elisabetta Decontardi (Deco)

Inesperados

O meu pressentimento era apenas uma noite
Lamentável expectativa tão breve confirmada.
Logo hoje que vulnerável eu me encontrava.

Sorte bater em metade no tumultuado acaso.
Inesperados, são medidas e toques improvisados.
Mal acostumado, o lar teve destino apressado.

Delicado, o abraço testou o ciúme da aurora.
Doce calor apimentado na pele deixou sobra.
Despedida amorosa para quem ficou a demora.