Poema para os desenhados do sol

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jugar_Dima Dmitriev 7

Pescados

Conto os passos do nosso grupo ritmado.
Mais um final de cansado dia trabalhado.
Colheita pouca, longe do tanto esperado.
Na volta agulhas, redes e chorado pescado.
Nos metais, peixes de lábios machucados.
Olhos abertos e o restinho de vida salgado.
O mais alto puxa o canto acompanhado.
Preces e rimas pra Deus muito obrigado.
E atrás fica nosso rastro aprofundado.
Pegadas para o mar cobrir necessitado.
Negros contornos na areia desenhados.
Somos testemunhos de um sol apaixonado.

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Poema para os dois aventureiros

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Papai Batman - Ilustração de Andry Shango-

Papai Batman – Ilustração de Andry Shango

Telhado

Quando cheguei em sua casa, sua mãe me pediu para subir as escadas.
Quarto vazio com algumas revistas de colorir, na cama, empilhadas.
A janela aberta e a cortina dançarina no compasso do vento soprado.
Sinal acostumado, um pedido para que eu fosse encontra-lo no telhado.

Eu estava vestido com a minha capa vermelha do super-herói favorito.
O que me dava coragem de saltar da janela, direto pro desafiado telhado.
E lá estava ele, de costas acomodado, pés no céu e a conhecida capa amarela.
Cumprimentei-o de longe e, sem pedir licença, fui dividir o espaço sentado.

“Dia quente hoje, não?”, foi a primeira coisa que ele disse desde a manhã.
Mais cedo na escola, ele passara todos os turnos cabisbaixo e calado.
E lá, debaixo do seu braço cruzado, eu vi no caderno o adulto desenhado.
“Preparado para mais uma aventura?”, puxei assunto sem voltar ao notado.

“Hoje eu descobri o meu verdadeiro poder”, era esse o seu tom ainda amuado.
“E qual seria este poder?”, perguntei divertido para quebrar o não tolerado.
“Quando penso de repente em alguém, esse no mesmo dia aparece”, revelou.
Preferi nada responder de imediato e, no silêncio, um pássaro veio ficar do lado.

“Já o meu superpoder é escalar! E escalo hoje para um dia voar…”, escolhi.
“Não! É sério. Ontem mesmo pensei no Olho de Garrafa e ele apareceu”.
“Mas ele estava em casa por ordem do médico. Todos sabiam”, resgatei.
“Mas a sua volta não foi avisada. Eu descobri este dom, este dom que é meu.”

Após cutucar sujeirinhas entre as telhas, o pássaro saiu para imitar um avião.
“E hoje você tá assim desajeitado por ter ele desenhado?”, eu trouxe lá de trás.
Então ele buscou os meus olhos e, irmão, não repudiou o atrevimento da ação.
“Pois é…” continuou. “E eu sei que isto é algo do tipo impossível, mas…”

Ele não conseguiu completar sua ideia feito uma máquina em súbito defeito.
Ao longe, vimos garotos correr em campos de terra misturados em lambança.
“Ah! Não se preocupe, ele sempre vai tá aqui, óh!”, apontei para o seu peito.
“E o que me importa este lugar, se o que me resta do pai é só lembrança?”

“Quem sabe um dia ele volta? Não do habitual jeito, mas de outra forma?”
Arrisquei enquanto ele se levantava e mirava o sol que a se por começava.
“Quem sabe ele esteja em outra dimensão me esperando para brincadeira?”
“Sim! Isso mesmo. De repente ele tá com a capa azul pra te jogar de bobeira.”

E foi assim, no susto e inesperadamente doce, que o primeiro sorriso veio ficar.
“Então o meu novo poder será abrir buracos no espaço e pelo tempo navegar…”
“E o meu, que antes era apenas voar, será nada menos que a realidade mudar.”
“E não deixar que o impossível seja obstáculo para os aventureiros em sonhar….”

Para aqueles que foram acordados pela inspiração

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peter pan

Ilustração de Peter Pan

Aconchego

Hora boa para acordar e pedir chamego.
Deixar a cama bagunçada e voar em ideias.
Esticar os braços, as pernas, sentir o corpo.
Ser alma, afeto e tudo de bom aos poucos.

Hoje acordei para bagunçar a noção do outro.
Soltar a criatividade e moldar meus planos.
Antigos e novos, tempos frescos e recomeço.
Mais confiante sinto transpirar felicidade.

Abraço meu travesseiro, a casa que reconheço.
Esta casa solidária novamente um abrigo.
Aos amigos que acolheram recente projeto.
Inspiração! Essa motivação é meu aconchego.