Para ser lido numa semana cinza

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Ilustração de Roberto Weigand

Ilustração de Roberto Weigand

Poeta de frases infantis
– dois –

Há um bom tempo eu não vivia essa emoção toda.
Desacostumado hábito, eu me virei do avesso.
Desperto sentimentos puros e prossigo desatento.

Bom chorar em situações de alma.
Estou vivo, constato a infantilidade.
Devolvo sorriso às lágrimas e faço nosso momento.

Aprecio as apaixonadas atitudes.
Abraço a música e reproduzo com calma.
Tão bom deitar no colo e deixar o coração aberto.

Triste acaso, toda minha semana amanheceu cinza.
Estou longe e me belisco numa enorme vontade.
Melhor lembrar apenas as alegrias e ser eterno…

POEMA PARA QUANDO HOUVER REVOADA

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"Beso amor" de Marina Anaya

“Beso amor” de Marina Anaya

Amor de passarinho

Se eu pudesse representar nosso amor, desenharia passarinhos.
Saltando de nossas cabeças, tomando o céu e outros ninhos.
Levando nos bicos as sementes dos nossos corações afetivos.
Para semear alegria que não teve na terra seus devidos adjetivos.

E daí virão outros pássaros para um encontro de asas e assobios.
Livres, amontoados, empoleirados, feito o calor de fortes abraços.
E na despedida, a revoada deixará para trás suas penas coloridas.
Para pintar este chão de outono, nosso amor enraizado, nossas vidas.

Poema para os de repente incompletos

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Columpio de Luís Alves

Columpio de Luís Alves

Vazio

Por um pequeno descuido, perdi um pedacinho de mim.
Fininho feito fio de pipa a voar macio pra um lugar sem fim.
E estacionou lá longe, onde se escondeu da imaginação.
Mal sabe ele, esta intempérie fere, testa e confere o destino,
de ficar sozinho, bandido e incompleto, sem o meu carinho.

Quando quis imitar o som do coração

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Ilustração de Roberto Weigand

Ilustração de Roberto Weigand

Tum-tum

A cabeça, o coração e o impulso.
No pulso, a batida de nós dois.
Depois de nos juntar e confundir.
E rir do tempo que fizemos juntos.

Mas muito há de somar e descobrir.
Por aí somos duas coisas simples.
Simples, porque preferimos assim.
A fim de ressaltar o amor em si.

Repetir e colar o ouvido no peito.
Isto feito, ouvir tim-tim por tim-tim.
Coladinhos, passando horas assim.
O som da vida ritmado do dó ao si.

Poema para os amores separados

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Ilustração de Patrice Barton

Ilustração de Patrice Barton

Primeira despedida

Eles me disseram que você partiria na manhã seguinte.
Por que tão subitamente quiseram partir meu coração?

O nosso cantinho descolado será ocupado pelo vazio.
E o mato calado, aposto, terá saudades dos cochichos.

Segredos nossos, verdadeiros, isto espero não esqueça.
E que de vez em quando desça para me visitar e sonhar.

Descalçar os sapatos para esta grama nossa acarinhar.
E acostumados, correr para felicidade próxima alcançar.

Não queria, mas como despistar a temida despedida?
Já sinto falta dos meus dedos nos nós de seus cabelos.

E dos gritos de nossos pais e você voltando comedida.
Eu rindo bobo até dos machucados tolos dos joelhos.

Saiba que debaixo desta pedra guardei nossas iniciais.
Riscadas por chave velha em cimento sujo e confiável.

Amável será este nosso último abraço desajeitado.
E depois virão outros e mais outros de outros reencontrados…