Poema que veio do nada

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Un i dos, ilustração de Pixelbox

Un i dos, ilustração de Pixelbox

Por nada

O amor chegou de fininho, mansinho, como quem quer nada.
Nada, por nada e do nada, facilmente refém de nova cilada.
Condição adocicada capaz de ver sonhos por onde for tocada.
E juntar paixão ao nada pra deixar a vida ainda mais apaixonada.

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Poema para aqueles que permitem mais de uma emoção

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"Nadar", ilustração de Hajin Bae

“Nadar”, ilustração de Hajin Bae

Espuma

Era apenas um riacho de contorno simples.
Próximo da casa que ele a levou pra passear.
Os dois desceram enrolados e aos tropeços.
Desde o começo a risada fez o dia namorar.

Pedras rolavam até arrebentar o espelho.
Água protegida e sacudida de silêncios.
Pequenos peixes foragidos e vermelhos.
Margem fresca destemida de incêndios.

Este rio representa os meus sentimentos.
Ele disse para ela de lábios de pétalas.
Rosas em pele areia e cabelos de ventos.
Sorriso em resposta tímida e duas metas.

A primeira foi tirar pela cabeça, o vestido.
Um passo, o pé na água e noutro a cintura.
Ei! Mas que ideia? Você perdeu o juízo?
Afundou e a superfície espirrou a doçura.

Avançou, mas a água gelada incomodou.
Chamou e o retorno foi apenas espuma.
Alma mergulhada e olhos para vasculha.
Desabituado, não encontrou forma alguma.

Conclusão temida, resposta clara e aflita.
A outra meta foi desaparecer nas emoções.
Riacho, uma alegoria para sua vida corrida.
Um ciclo fechado para abrir novas paixões.

Poema dedicado aos arremessados da cama

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Ilustração de Sara Fratini

Ilustração de Sara Fratini

Apaixonada preguiça

Esta manhã a preguiça me acordou com um soco no rosto.
Jogou-me para fora da cama e ainda me deixou de olho roxo.
Rodela roxa vergonhosa e no cotovelo o doído desprezo.
Por que machucar o trabalhador que tem na cama seu amor?

No chão, rastejado até a porta, busquei a dignidade que restava.
Mas ela voltou, segurou minha perna e fez destino o chuveiro.
Água atrevida, quanta teimosia pra esquentar! Ao léu eu gritava.
Terminado lamento, lágrimas secas, hora do café costumeiro.

Sentada, a preguiça me fitava com os olhos de paquera.
A ira me cegava, mas a fumaça do café era tão amorosa.
Orgulhosa, ela dizia ter a bebida preparado e adoçado.
Saborosa. Preguiça sua filha da mãe! Não vá embora!
Pois eu já me acostumei com a sua insistente parceria.
E fazer o quê? Melhor relaxar e aproveitar a companhia.

Poema para o mundo que tanto observo e espero

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misturados

Foto minha – Instagram

Misturados

Fiquei aqui do seu lado para nos sentir isolados.
Exilados num banco qualquer de uma praça ao canto.
Tantos anos precisos para chegar esta importância.
E em momentos como esses são grisalhos e gatilhos
para um mundo que reconheço e percebo emocionado.
Navegantes, somos únicos num tempo prolongado.
Vem cá e me dê mais um abraço acostumado.
Que tal curtir a vista, os ouvidos e o que suceder?
Misturados continuamos frutos da paisagem urbana.
Inalterados na civilização mundana e apaixonados.
Temos pouco e o que nos resta muito nos agrada.
A tristeza esquecida e o desejo de mais anos somados.

Àqueles que me criaram

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Pintant 1

Pintant

30

Engraçado.
Hoje percebo as coisas diferentes.
Repentinamente trinta, mas nem tanto assim.

Aniversário.
Tenho em mim a sensibilidade um presente.
Experiente.
Felicidade minha é a criança estar aqui.

Suavizado.
Já não me aborreço como antes.
Aprendizado.
É compreender a tristeza e redescobrir o sorrir.

Positivo.
Daqui pra frente vou trabalhar melhorias.
Consciente.
Quero adoçar a vida e equilibrar o que há de vir.

Apaixonado.
Sou grato àqueles que me criaram.
À família, aos amigos, aos próximos deixo parte.
E arte para enternecer meu muito obrigado adulto enfim.