Poema para antes de o holofote cegar

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Leah Yerpe

Corpo em movimento. Arte de Leah Yerp

 

Fascinado

Seu movimento é encurvado
Forma de bicho e braço largo.
És gracioso, simples, aventurado.
Cada passo seu, um fascinado.
Tem rosto e nariz de gente.
Olhos úmidos e só sorrisos.
Tronco de molas, zero de costelas.
Vida de saltos e mais equilíbrios.
Seu trabalho é palco e coletivo.
Ritmado e em intercalados solos.
O suor por música batido.
Tem fim arte nos aplausos e grito.

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Aquele que chamei de metáfora do trabalho

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Quadro "Le Dejeuner de Faneuses", do pintor Julien Dupré

Quadro "Le Dejeuner de Faneuses", do pintor Julien Dupré

MESA MONTADA

Quero uma mesa de pernas tortas para distribuir meus alimentos.
Que ela seja firme, um tanto bela, persistente por muitas semanas.
Onde sentem os amigos, a família, e durmam todos com a lembrança.
Das tardes completas, das músicas encenadas e das conversas fiadas.

Quero uma mesa simples e real. Que tenha local e voe do pensamento.
Onde eu disponha frutas. Muitas frutas! Algumas maçãs, algumas bananas.
Somadas ao café preto, ao pão nosso do trabalho e ao melado da criança.
Que tenha cor quadriculada, toalha bordada e algumas flores costuradas.

Que haja vida além de seu recorte e muitas moedas no selado cofre.
Que não falte a felicidade e aconteça a comunhão dos bons sentimentos.
Uma noite, uma tarde eternizada nos amanhãs daqueles que cuido e chamo.
Que fiquem do meu lado a boa sorte, a saúde, a arte e a ternura que amo.