Poema para a terra dos monstros

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"Where the Wild Things Are" de Maurice Sendak

“Where the Wild Things Are” de Maurice Sendak

Despedaçados

Tomei um barco para buscar o que havia de inquieto em mim.
Fugi de minha casa e deixei mamãe pra trás em pedacinhos.
Então naveguei por mares agitados além do conhecimento.
Até encalhar numa ilha adequada e do tamanho do intento.

Monstros de mandíbulas assustadoras vieram me arrastar.
Dentro da mata fechada, reencontrado em nenhum lugar.
Seres tão estranhos queriam nada mais que brincadeiras.
Gritavam tanto que o respeito da garganta eu fui buscar.

Surpresos, eles me jogaram para cima e azul conquistado.
Aproximado das nuvens, das luzes pra voltar passarinhado.
Mas quando sensibilidade teve chão, já não era divertido.
No lado esquerdo, veio-me a falta daquela despedaçada.

Não prolonguei a despedida, pois havia outras porções.
Coro de corações chovidos, abraços temidos e canções.
Simbólica volta para completar o espaço de minh’alma.
Compaixão sem medida, meu sentido de vida e a calma.

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Aquilo que o mar me despertou

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paisagem base preamar

Foto da paisagem da base no Joá - Rio - RJ

Maré alta

A água que vem e bate nessas pedras
é a mesma água que sacode meus sentimentos.
Feito onda gelada a quebrar na superfície escura
e gerar espuma branca que salga a nossa boca.
Salgada. Há tempos mergulhei em teu reino.
Invadi teu espaço e me perdi no breu. Sou teu.
Cego e movido pela maré de entendimentos .
Um barco a cortar a água e à procura de peixes.
Até encontrar a palavra que espero, cativo e cultivo.
Ao vento sou o pássaro que cutuca seu agito.
E vem se esconder no ninho pra pregar a sílaba.
A rima que faltava para completar o assobio
da música que nos desperta a fiel melancolia.
Ser a lágrima, o azul de nossa memória festiva.
Que quer ganhar o chão, ser doce e eterna.
Depois resgatada no peito e pendurada em cordão.
Ressentimento. Estava na fase que chamei de pré.
Minha maré… Tão mansa! Prefiro mudar o conceito.
Deixá-la alta, chama-la de preamar e, assim, de amor.