Poema para os de repente incompletos

Standard
Columpio de Luís Alves

Columpio de Luís Alves

Vazio

Por um pequeno descuido, perdi um pedacinho de mim.
Fininho feito fio de pipa a voar macio pra um lugar sem fim.
E estacionou lá longe, onde se escondeu da imaginação.
Mal sabe ele, esta intempérie fere, testa e confere o destino,
de ficar sozinho, bandido e incompleto, sem o meu carinho.

Poema para os amores separados

Standard
Ilustração de Patrice Barton

Ilustração de Patrice Barton

Primeira despedida

Eles me disseram que você partiria na manhã seguinte.
Por que tão subitamente quiseram partir meu coração?

O nosso cantinho descolado será ocupado pelo vazio.
E o mato calado, aposto, terá saudades dos cochichos.

Segredos nossos, verdadeiros, isto espero não esqueça.
E que de vez em quando desça para me visitar e sonhar.

Descalçar os sapatos para esta grama nossa acarinhar.
E acostumados, correr para felicidade próxima alcançar.

Não queria, mas como despistar a temida despedida?
Já sinto falta dos meus dedos nos nós de seus cabelos.

E dos gritos de nossos pais e você voltando comedida.
Eu rindo bobo até dos machucados tolos dos joelhos.

Saiba que debaixo desta pedra guardei nossas iniciais.
Riscadas por chave velha em cimento sujo e confiável.

Amável será este nosso último abraço desajeitado.
E depois virão outros e mais outros de outros reencontrados…

Poema dedicado à amizade

Standard
chaplin o garoto

O garoto (The Kid, dir. Charles Chaplin, 1921)

Dividir

Quero saber dos seus mistérios
e somente arrancar sorrisos
desses olhos por vezes sérios,
tristes, sóbrios e contemplativos.
Da vida, precoces sentidos
que aqui, por nós, queremos e
dividimos.

Quero explorar a intimidade.
Compartilhar o vivido e divorciar o sofrido.
Entrelaçar carinhos bobos, solícitos.
Aclamar leituras, sons e versos polidos.
Para fazer-te bem, paz e amigo.
A vida, que de novo, insisto e repito
dividimos.