Poema para quando houver brecha à fantasia

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Leicia Gotlibowski - Ilustrata

Ilustração de Leicia Gotlibowski

Pequena viagem de sentimentos inusitados

A mente chocalhou quando a árvore abraçou o ônibus.
Éramos passageiros engolidos por um novo mundo à parte.
Semelhante a um túnel negro cortado por luminosos pontos.
E mais focos de variadas cores chamativas e escarlates.

Impregnados neste inédito terreno de fantasia e curiosidade.
Cercados, éramos vagalumes em busca de conhecimento.
Até seres invisíveis virem na intenção de nos despir.
E de despertar nos abdômens aquela estranheza feito cócegas.

Constrangidos, preferimos retomar os conhecidos ares sérios.
Todavia perplexos neste universo de sentimentos inusitados.
Lembro-me de alguém agarrado à minha mão e de modo tímido sorrido.
Para assim respirar a emoção e, sem pressa, visitar minha libido.

Mas a derradeira luz se aproximou e estelar tomou o carro.
Fomos arremessados à avenida e novamente confundidos ao coloquial.
No meio de tanta pressa, ruído, cimento, todos isentos de argumentos.
Resignados ao simples, corriqueiro, movimentado, julgado e carnal.

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O retrato de quem pensou poesia

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Retrato do céu cinza

Foto minha "Retrato do céu cinza"

Poema de trajeto

O céu recortado pelo nosso movimento
coloriu-se de cinza ao som daquela conversa.
Pequenas gotículas vieram enfeitar a janela
e chuviscado risquei distraído sem pressa.

Fiz um desenho da forma que te caracterizo.
Forma singela com linhas e muitas curvas.
Na curva, jogado para outro lado dessa esfera.
De ponta cabeça tem o mundo sua forma confusa.

Pois então que cresça a linha a moldar esta janela.
Com tantos outros fios a conduzir-nos energia.
Somos apaixonados perdidos em melancolia.
No concreto costurados e no intervalo poesia.