Poema para os amores separados

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Ilustração de Patrice Barton

Ilustração de Patrice Barton

Primeira despedida

Eles me disseram que você partiria na manhã seguinte.
Por que tão subitamente quiseram partir meu coração?

O nosso cantinho descolado será ocupado pelo vazio.
E o mato calado, aposto, terá saudades dos cochichos.

Segredos nossos, verdadeiros, isto espero não esqueça.
E que de vez em quando desça para me visitar e sonhar.

Descalçar os sapatos para esta grama nossa acarinhar.
E acostumados, correr para felicidade próxima alcançar.

Não queria, mas como despistar a temida despedida?
Já sinto falta dos meus dedos nos nós de seus cabelos.

E dos gritos de nossos pais e você voltando comedida.
Eu rindo bobo até dos machucados tolos dos joelhos.

Saiba que debaixo desta pedra guardei nossas iniciais.
Riscadas por chave velha em cimento sujo e confiável.

Amável será este nosso último abraço desajeitado.
E depois virão outros e mais outros de outros reencontrados…

Dois pra lá, um pra cá

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"Iluna", ilustração de Elisabetta Decontardi

“Iluna”, ilustração de Elisabetta Decontardi (Deco)

Inesperados

O meu pressentimento era apenas uma noite
Lamentável expectativa tão breve confirmada.
Logo hoje que vulnerável eu me encontrava.

Sorte bater em metade no tumultuado acaso.
Inesperados, são medidas e toques improvisados.
Mal acostumado, o lar teve destino apressado.

Delicado, o abraço testou o ciúme da aurora.
Doce calor apimentado na pele deixou sobra.
Despedida amorosa para quem ficou a demora.

Poema antes de partir

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A morte do caixeiro viajante

Arte - Cartaz da peça "A morte do caixeiro viajante" (Death of a Salesman)

Embora

Vou embora antes.
Antes que o forno aqueça
e que ela tome forma.
Antes de provar o sabor
e de terminar a prosa.
Antes de piorar e de por tudo a perder.
Antes mesmo de entardecer
e o que somos esmaecer.
Vou sair e deixar a lembrança.
Que ela tenha força e seja prazerosa.
Que ostente o verbo e perdure
formosa, sem derrota.
Que viva comigo, contigo e com aqueles
que venham compartilhar.
Vou embora antes,
mas primeiro vou assinar,
este epílogo improvisado
que cresceu feito um sonho
de um apaixonado teimoso
que recusava acordar.