Um Pouco de Prosa

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garça branca

A bicada da garça

Atemorizado na terra do nunca e o peixe vivo no bico da garça branca.
Idiota encapuzado corria pelado colina abaixo com frio no íntimo.
Queria mover-se para não mais ficar a ouvir aquele sofrido eco tolo.

Seu tolo… olo… olo… ôh…

Era a culpa feito uma vespa gorda a picar e envenenar suas entranhas.
Pobre coitado! Beliscou a morte e criou desordem com a pouca vida.

Lembrou:

“O que faz aqui?”, perguntou a rainha embevecida do alto da torre.
“De mim tenho pena!” , respondeu o jovem com a calça ainda arriada.
A chave emperrada limitou o acesso do rei apressado que secou a boca.
“À sua esquerda, a janela, melhor saída.”, ela indicou sufocando-se no lenço.
Queda feia! Quebrou um osso ou mais. Torto, cumprimentou o pedinte.
“Não me amole, não trago moedas.”, desconversou e tapou as nádegas.
“Quem esteve aqui?” , bravejou o rei com as bochechas inchadas e vermelhas.
O cheiro do ato proibido entrava em suas narinas e coçava suas gengivas.
“Nada não meu querido amado. Apenas a nova essência vinda do mercado.”
“Essência essa de muito mau gosto, atesto! Que dobrem os tributos!”

Tributos esses sentidos pelo pai do foragido que triplicou a prometida sova.
A ardência rosada nas nádegas do bobo deixou-o calado, pobre e quebrado…
Não conseguia parar de pensar na corte, no rei, na rainha e no sexo vetado.

Poema lembrado em tempo oportuno

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Edvard Munch Melancolia

Melancolia, Edvard Munch

Poeta do Improviso

Mataram a felicidade no dia em que alcancei o topo.
Tapo a boca, arregalo os olhos.
Volto ao começo e reinicio a jornada.
Dessa vez, espero contar com mais sorte.
De talento se vive muito…
Mas sem a boa companhia, tudo para, tapa.
Topo a vida e que venham oportunidades.
Brinde ao juízo e morte ao desnecessário.
Bom reparar nossos erros e tapar buracos.
Lastimo a falta de rima e louvo esse eco tolo.
Sou mais um poeta do improviso e amante do todo.