Para aqueles que duraram o instante

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No meio, uma ponte

Quis brincar de Deus e criar a própria noite.
Pintou o teto de estrelas e sussurrou noite.
Que fosse! Música escolhida para reviver.
Mesa posta, cadeira vazia e rotina sem flores.
Estremecida, única certeza dita assim, de repente…
Quis abrir a maçaneta, mas choveu a despedida.
Dois hiatos apaixonados, tristemente sufocados
por uma certeza perdida assim, de repente.

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Para aqueles que já admiraram a aurora

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Foto de Andrew Lyman da série "Fleeted Happenings"

Foto de Andrew Lyman da série “Fleeted Happenings”

Invisível

Estranho, devagar e inevitável, as estrelas interromperam seu piscar.
Feito cordas puxadas de abajures, uma a uma, até o brilho perder lugar.
Do lado de fora da cabana, o mato chorado e os pássaros acordados.
Na hora do despertar acostumado quis o sol, além da serra, me flertar.

Caminho sozinho entre gramas, solos e espinhos saudosos de papinho.
Ventos são vozes, cores e na pele batem arrepios de modo imprevisível.
Insetos instáveis viram notas, pontos vermelhos, mimetizes a antíteses.
Enquanto viro folhas, tronco, pulmão, um resíduo do céu, o ser invisível.

Para aqueles que foram conquistados pelo céu

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Ilustração Estrelles de Murta Turan

Ilustração “Estrelles” de Murat Turan

Por ti apegado

Esta noite o céu me beijou e sussurrou ser meu par.
Desapegado, emprestou estrelas para me acompanhar.
Quebrada rotina, tenho inesperado rumo e sossego.
Areia umedecida, no pé vira cola por entre os dedos.

Tão salgado! Gelado mar vem testar meu calcanhar.
Natureza paquerada me deixa feliz este seu cheiro.
Vida longe cansativa e de perto cores para passeio.
Sensibilidade repentina tem no peito o seu lugar.

Depoimento aos desafiados

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Roberto Weigand

Ilustração de Roberto Weigand

Novo ponto de partida

31
Pegue este, inverta e tenha o treze.
Ano de sorte.
Número de apostas e de sonhos.
Tá certo! É também mau agouro para uns.
E o quê é que tem?
Vejo o lado positivo da coisa. Posso?
Perguntaram-me do doze.
Este foi tão bom!
Pouquíssimas reclamações.
Mas por que no fim me sinto tão melancólico?
Dezembro foi intenso.
Rupturas e outros recomeços.
Reencontros familiares e espiritualização.
Janeiro é mês de força.
À diante um tremendo desafio.
Confiança!
Exigirá um bocado.
Tenho certeza, um valioso aprendizado.
E eu aqui levado ao emocional.
Essa noite gritei ao céu as minhas estrelas.
Coração bom.
Bora encarar esse ano de frente!
Tenho hoje, assim como tantos, um novo ponto de partida.
E farei de tudo para o que venha suceder seja o melhor.