Para os corações carentes de letras

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Uma estrela, ilustração de Roberto Weigand

Costurado

Eu tenho me ausentado durante este longo, longo tempo.
Seria falta de ação, dedicação ou de meu sentimento?
O fato é que não posso ignorar esta emoção toda que tenho.
E compartilhar aquilo que na mente é bagunçado e turbulento.

Peço desculpas e preparo na agulha uma nova linha de costura.
Uma linha diferenciada, ao invés de fibras, palavras apaixonadas.
Para quem sabe suturar com sílabas rimadas corações sedentos.
E assim ficar poesia, meu fragmento de alma, minha ternura, meu tormento.

Aquele que chamei de metáfora do trabalho

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Quadro "Le Dejeuner de Faneuses", do pintor Julien Dupré

Quadro "Le Dejeuner de Faneuses", do pintor Julien Dupré

MESA MONTADA

Quero uma mesa de pernas tortas para distribuir meus alimentos.
Que ela seja firme, um tanto bela, persistente por muitas semanas.
Onde sentem os amigos, a família, e durmam todos com a lembrança.
Das tardes completas, das músicas encenadas e das conversas fiadas.

Quero uma mesa simples e real. Que tenha local e voe do pensamento.
Onde eu disponha frutas. Muitas frutas! Algumas maçãs, algumas bananas.
Somadas ao café preto, ao pão nosso do trabalho e ao melado da criança.
Que tenha cor quadriculada, toalha bordada e algumas flores costuradas.

Que haja vida além de seu recorte e muitas moedas no selado cofre.
Que não falte a felicidade e aconteça a comunhão dos bons sentimentos.
Uma noite, uma tarde eternizada nos amanhãs daqueles que cuido e chamo.
Que fiquem do meu lado a boa sorte, a saúde, a arte e a ternura que amo.