Poema do iludido

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Lecuona 2004

Espetáculo "Lecuona", 2004, Grupo Corpo.

Saliva

Você encanta frases vazias.
Morde e mastiga sedução.
Conduz seio as suas batidas.
Morte, doce menina, não!

Você enche a boca de saliva.
Insinua, provoca nua mentira.
Diz amar alheias vidas.
Beleza e pecado, sua mira.

Você troca, nega-me afeto.
Depois volta e exala ternura.
Traz irreverentes ares perto.
Promíscua, ardilosa, me jura.

Você canta refrões sujos.
Encanta e repete sentimento.
Vacila em prosaicos furtos.
Minha musa, meu jogo, meu vento.

Poema lá do começo

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the green dress

Edgar Degas, “The Green Dress”

Maus Tratos

A libido
Lambe o
Terno que
Desusa a
Paciência

Desinibida
A bailarina
Transpira a
Musa de
Inocência.

Vida minha
Aniquilada
Colo a morte
Por
Prudência

Destemida
Afasta a
Sombra muda
O verbo pra
Demência

Maltratada
Afugentada
No ermo
Feito a
Indescência!

( outubro/ 2003 )
Dedico esse poema ao professor Sebastião Votre.