Poema para os amores equivocados

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Ilustração de Cori Dantini

Ilustração de Cori Dantini

Poesia equivocada

O que sobrou de nós dois foi apenas uma poesia.
Uma hipocrisia, pois a segunda atrevida se cria.
Versos meus, evito lembra-los do quanto sorria.
Dedico rima pobre para quem facilmente já ia.
Então prossiga e veja se encaixa noutra fantasia.
Inspirações tenho tantas para amar em demasia.

Poema para quando procurar uma origem

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"El Principito" (O pequeno príncipe), ilustração de So Ri Yonn

“El Principito” (O pequeno príncipe), ilustração de So Ri Yonn

Jogo de Queixo

Quatro linhas e um jogo da velha no queixo.
Duas quedas e um poeta longe do eixo.
Criança inventiva na ardósia deixou rima.
História repetida teve prova ao olhar pra cima.

Lembranças de menino pra espantar a rotina.
E outras fantasias emotivas com formas criativas.
Promessas sobre rabiscos em pisos de giz, quis…
Tardar o crescer para o consciente ser mais feliz.

Para aqueles que caçaram nuvens

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Caçadora de Nuvens de Isabelle Dermarly

Caçadora de Nuvens de Isabelle Dermarly

Pipa

Depois que diluiu e corou,
ficou para pescar as letras.
Sobraram poucas para a pipa.
Mas preparou seu voo infinito.

Bravo pensamento de ideias singelas.
Estalam rimas em tetos de zinco.
Sem afinco ou grampos de linha.
Apenas fios tensos e muita energia.

Cabe ao vento a sua imaginação rica.
Guiá-la com emoção e rodopios vivos.
Enfrentar chuvas, nuvens e pedradas.
No sol fincar seu posto, a beleza almejada.

Aquele poema que me falou dos sentidos

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Alice no país das maravilhas ilustração

Ilustração de "Alice no país das Maravilhas", obra de Lewis Carroll

Acordar

Sonhei minha língua enrolada.
Sem completar uma conversa.
Meus amigos ensaiavam festa.
Eu sem cantar no canto me resta.

Olhos despertos recobro os sentidos.
Intensificados foram tantos vividos.
Sonho em cores como muitos poetas.
Inspirados pelo forte intuito e libido.

Vou escrever rimas e depois cantar.
Sou amante do tato e agora ouvido.
Quero ler encantos na pele, sorrindo.
Inalar poesia torna doce meu paladar.

O poeta que desconstruiu o seu invento

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St Joseph, 1642, de Georges de La Tour

St Joseph, 1642, Georges de La Tour

Frágil poeta de ideias

Aquilo que agora escrevo e ostento.
Vem o vento e pirata o leva lento.
Derruba em meu colo texto lamacento.
Este solo de ideias carentes de alento.

Verso cru criado sonoro modorrento.
Faz dobra esta obra que mal invento.
E sobra à rima pobre do nobre intento.
Terminar como vela em cego lamento.